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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Podcast Trocando em miúdos - Disbiose e males do intestino

Reprodução do podcast Trocando em Miúdos

“Disbiose e os males modernos do intestino”


TROCANDO EM MIÚDOS com Débora fajardo “Disbiose e os males modernos do intestino”
Vamos falar sobre o intestino, um dos órgãos mais importantes do organismo. A gente pode dizer que o intestino é o grande faxineiro do organismo, aquele que tira para fora do corpo a sujeira. Daí a importância do seu bom funcionamento. A comida tem que entrar bem no nosso aparelho digestivo, receber os nutrientes e expelir bem o que não serve.
A nutricionista Nathércia Percegoni, doutora em Nutrição e professora na Universidade Federal de Juiz de Fora, nos fala sobre ele. E alerta que muitas doenças modernas, inclusive alguns casos de depressão, estão relacionados a problemas no intestino.
No intestino humano há uma população de bactérias, benéficas e maléficas. O problema começa quando as bactérias maléficas estão em número maior, se multiplicaram mais que as benéficas. Nessa situação é comum ocorrer a disbiose, uma doença típica da vida moderna. Uma série de fatores podem provocar a disbiose: o uso excessivo de medicamentos, a poluição, o consumo exagerado de alimentos industrializados, o sono ruim e o estresse, a nicotina e o álcool. Mas a alimentação é certamente um dos fatores mais graves.
Explicando melhor o que é a disbiose. Com o crescimento das bactérias maléficas, em maior número que as benéficas, formam-se uns poros no intestino. Isso permite a absorção pelo organismo de moléculas que deveriam ser eliminadas. Essas moléculas caem na corrente sanguínea e vão provocando doenças e alergias em vários órgãos. A nutricionista acredita que praticamente todas as pessoas hoje em dia têm disbiose, em maior ou menor grau. Pelo estilo de vida e a alimentação equivocada.
A melhor forma de prevenir a disbiose é consumir o menos possível os produtos industrializados, processados. Optar pelos alimentos naturais. Valorizar as feiras da sua cidade, os pequenos agricultores e produtores que vendem alimentos frescos, sem conservantes. Se quer consumir um biscoito, melhor seria fazer o biscoito em casa ou então comprar de alguém que produz. E isso vale para outros alimentos.
É preciso também consumir muita água de boa qualidade, consumir fibras e evitar medicamentos à toa. Usar remédios somente em casos de necessidade real. Outra coisa importante é o consumo de hortifrutis livres de venenos, de agrotóxicos. Se tiver a oportunidade de comprar os orgânicos, melhor. Mesmo que sejam um pouco mais caros. Vai ganhar na saúde. As bactérias benéficas do nosso intestino são os lactobacilos e as bifidobactérias. Quanto mais dessas bactérias o nosso intestino tiver, melhor será a nossa saúde.
A entrevista completa da professora Nathércia Percegoni ao Blog Vida Útil pode ser acessada no link: http://blogvidautil.blogspot.com/search?q=disbiose

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A importância dos FERMENTADOS






Há uma parte do corpo humano que a maioria das pessoas não dá a devida atenção que ela merece. É o sistema digestivo. Mais de 95% da absorção de nutrientes acontece no intestino. E quase 80% do sistema imunológico, defesa e proteção do organismo estão localizados no sistema digestivo.

O nosso intestino, o sistema digestivo, é muito mais do que um monte de tubinhos por onde passam os alimentos. É um sistema complexo com trilhões de bactérias que vivem lá e cumprem um papel importantíssimo no nosso corpo. Nós somos um “conjunto de bactérias”. E temos que ter bactérias de qualidade.




O intestino é a LINHA DE FRENTE DE DEFESA DO NOSSO ORGANISMO!

E, claro, acaba sendo também a porta de entrada da maioria das doenças, quando ele está capenga, desequilibrado, fraco. Quando ele não é ‘tratado’, alimentado da maneira correta.

Calcule a importância de ter um intestino saudável, com uma população de bactérias do bem, funcionando direitinho.

O que o intestino e todo o sistema digestivo precisam é de alimentos PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS.



Uma microbiota saudável é sinônimo de uma boa saúde, de uma maior absorção de nutrientes, de uma imunidade mais resistente.


De onde vem as enzimas digestivas, os microrganismos que vão manter e compor a nossa microbiota (flora intestinal) saudável? Vem da natureza, dos alimentos frescos, orgânicos (sem agrotóxicos) e dos alimentos sem muito cozimento.



O grande problema é que hoje a alimentação da maioria das pessoas, adultos e crianças, é rica em produtos industrializados, ultraprocessados, ricos em açúcar refinado. O açúcar é um grande alimento para as bactérias ruins que também habitam o nosso corpo. Os alimentos muito cozidos não tem nenhuma ou pouquíssima enzima de qualidade. Faltam probióticos.



Quem são as enzimas?

Podemos dizer que as enzimas são as operárias do nosso corpo. Elas pré-digerem os alimentos, facilitando a absorção de nutrientes.



O uso constante de medicamentos, de antibióticos, destroem a flora intestinal. E esse é um problema da vida moderna. Esses remédios causam inflamação nos tubos do trato digestivo. Isso gera uma série de consequências que a gente vê com frequência. Pessoas com problemas de estômago, má digestão, dificuldade de eliminação, problemas de pele, fungos, doenças autoimunes. Muita gente fica gripada frequentemente. Tudo isso e muito mais.

O antibiótico, como o próprio nome diz, é “anti-biota”. Ele destrói a microbiota intestinal, embora ele seja necessário para curar certas doenças. Só deve ser tomado se for muito necessário.

Há estudos que conectam até a obesidade e o mau humor a uma flora intestinal desequilibrada.


AÍ ENTRA O PODER DOS FERMENTADOS!



Fazer uso diário dos FERMENTADOS, esses superalimentos, vai causar um impacto gigante na sua vida – a curto, médio e longo prazo.

Por quê? Porque eles estão cheios do que precisamos: microrganismos do bem. Que vão repovoar, equilibrar e manter – manter é muito importante! - a flora bacteriana muito saudável.



O corpo agradece, responde positivamente quando recebe os alimentos certos. Pois ele fica saciado e feliz. Um intestino saudável reflete a alegria de viver para todo o organismo.

E não para por aí. Além de todo esse equilíbrio no seu intestino, os fermentados tornam os alimentos mais fáceis de serem digeridos. Por quê?

Porque eles já são pré-digeridos. Vamos imaginar que as bactérias, as enzimas são mini-cozinheiros. Então elas já pré-digerem os alimentos. Aí fica de fácil circulação. Fora tudo isso, ainda preservam os nutrientes dos alimentos que a gente consome.



Os fermentados criam enzimas de qualidade, vitaminas de todos os complexos, ácidos graxos essenciais.

Por fim, os fermentados criam comidas e bebidas deliciosas.

Com tudo isso eles se tornam uma ferramenta poderosa, sem comparação, não apenas de prevenção mas também de auxílio no tratamento de doenças e condições crônicas.



O fermentado é um verdadeiro superalimento. É chocante a diferença que os fermentados fazem no organismo. Uma vez que a pessoa começa a consumir com frequência, vai se perguntar por que demorou a fazer os fermentados, verdadeiros “potes de alegria”.

Os benefícios aparecem logo nos primeiros dias. Sensação de leveza, bem estar promovida pela boa digestão. Porque os fermentados promovem harmonia. O alimento tem que entrar bem no organismo, digerir bem e sair bem.



A melhor parte: ELES SÃO FÁCEIS DE FAZER!



E trazem uma praticidade para a vida. Ainda ajudam a economizar na alimentação, de algumas formas. São baratos e com ingredientes acessíveis. Ajudam a diminuir a ingestão dos maus alimentos. Vão colocando coisa boa no corpo. É o princípio da adição. Você vai colocando coisa boa no organismo e a vontade de comer besteira vai embora. Sem falar que os fermentados aumentam a vida útil dos alimentos.












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Rita Zamberlan conta sua experiência com os fermentados



Ela já praticava a alimentação viva e crua. Mas estava numa fase em que a alimentação viva estava monótona, chata. Tudo estava muito parecido e ela já estava meio enjoada daquilo. Os fermentados vieram na hora certa. Por isso, hoje ela tem paixão por eles.

Ela já tinha percebido que alguns alimentos crus não lhe caíam bem. Deixavam o corpo inchado, causavam um desconforto. Um belo dia, tinha muitas frutas maduras em casa. E tinha ouvido que dava para fazer fermentados com fruta madura. Ela preparou e foi experimentar no dia seguinte. Achou muito bom. Ficou feliz com o resultado. O corpo ficou feliz instantaneamente, como num passe de mágica. Começou a sentir novamente o sabor e a alegria dos alimentos, mesmo daqueles que não estavam fermentados.

Foi um marco que abriu novas ideias e muitas possibilidades. De incluir não só as frutas fermentadas mas todo tipo de alimento fermentado na alimentação. Foi um divisor de águas. Abriu um mundo de possibilidades no preparo das refeições, inclusive dos alimentos que ela não conseguia comer crus. Por exemplo, o amendoim. Quando batia no estômago doía. Ela descobriu que podia fermentar. Fazer uma pasta fermentada com o amendoim, preparar um queijo – que já chega pré-digerido no estômago. E aí fica tudo bem. Da forma fermentada, ele chega pré-digerido e potencializado no estômago, pois tem probióticos, enzimas de qualidade. Hoje ela consegue incluir o amendoim na sua alimentação. Um produto que antes o seu organismo não aceitava cru.

E isso acontece com todos os fermentados. São fáceis de fazer e trazem um bem enorme ao organismo. Além de serem saborosos, enchem o intestino de “flores”, de bactérias amigas.



Os tipos de fermentados são muitos e variados: chucrute, rejuvelac, kefir, kombucha, espumantes, queijos, iogurtes etc. Eles melhoram a digestão. O intestino agradece todos os dias. Abrem um mundo de possibilidades no preparo das refeições diárias.



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Por que não comprar fermentados industrializados?



Por que não comprar chucrutes, bebidas fermentadas, e ter que fazê-los em casa?


Tem um detalhe importante aí. Há uma grande diferença entre os alimentos fermentados, probióticos, enzimáticos, que estão com a microbiota ativa, as bactérias estão todas vivas, trabalhando - e os produtos prontos.

A diferença é que o produto industrializado sofreu todo um processo de pasteurização, cozimento, filtragem para que possa ser vendido. Para ficar na prateleira do mercado. Por isso não tem bactéria bonita ali. As bactérias boas já morreram. Tornaram-se inativas. Pasteurizou – matou as bactérias do bem.



Há outras vantagens de fazer os fermentados em casa. A variedade. Eles ficam mais gostosos do que os de qualquer marca. E você tem a garantia de que está fazendo um fermentado de qualidade, na escolha dos ingredientes. Esses, além de estarem cheios de bactérias do bem, são muito mais baratos. E mais ecologicamente corretos também, pois dispensam as embalagens, o transporte etc. Podemos dizer que é o “eco-fermentado”.

O fermentado é uma forma de evitar desperdício, conservar a comida por alguns meses. Aprender a fermentar em casa significa ainda que você pode compartilhar esse conhecimento.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Disbiose e os males modernos do intestino

Entrevista


Nossa entrevista desta semana é com a Dra. Nathércia Percegoni, professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG. Ela revela que muitas doenças modernas, inclusive alguns casos de depressão, podem ter origem no intestino, prejudicado pelos hábitos de vida e alimentares adotados em nossa sociedade. Nutricionista formada pela Universidade Federal de Viçosa, Nathércia obteve o título de doutora por mérito e conquista, e não de favor ou por tradição. Tem tese aprovada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fez Pós-doutorado na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). É com essa autoridade que fala sobre a disbiose, uma doença que pode acarretar muitas outras e, apesar disso, é pouco conhecida e falada. Fala ainda sobre a "medicina da doença", que prefere os remédios aos recursos naturais. 




Vida Útil – Você diz que é preciso fazer uma ‘limpeza’ intestinal, de tempos em tempos. Como se faz isso?
Nathércia Percegoni – Na verdade não é limpeza, é tratamento intestinal. A limpeza intestinal, em geral, refere-se àquele procedimento feito em hospitais, também conhecido como “lavagem”. O tratamento intestinal é outra coisa. No intestino humano há bactérias benéficas e maléficas e elas convivem em equilíbrio. Quando as bactérias maléficas estão em maior número ocorre a disbiose, uma doença que pode provocar muitas outras enfermidades. A disbiose é o desequilíbrio  da microbiota, o nome que se dá hoje ao que anteriomente era conhecido como “flora intestinal”. Hoje não se usa mais esse termo.

V.U. – O que causa a disbiose?
N.P. – Há uma soma de fatores característicos da vida moderna que podem provocar  a disbiose. A poluição, o uso excessivo de medicamentos – uma marca da nossa sociedade, o consumo exagerado de alimentos industrializados (cheios de corantes, conservantes e outros aditivos químicos), estresse, nicotina, álcool, má alimentação em geral. Tudo isso em conjunto provoca o desequilíbrio da microbiota intestinal.

V.U. – Além desses fatores que você citou, há outras causas para desenvolver a disbiose?
N.P. – Há. O uso de antibióticos provoca uma pesada disbiose. É uma das principais causas desse problema. É claro que, se for preciso, a pessoa tem que tomar o antibiótico. Mas logo após o tratamento com o antibiótico, ou mesmo durante o uso desse medicamento, é preciso tratar o intestino. Estudos já comprovaram que para o uso de antibióticos durante apenas sete dias, será preciso dois anos para reconstruir a microbiota.

V.U. – O que a disbiose faz no intestino?
N.P. – Quando as bactérias maléficas estão em maior número, que é a disbiose, formam-se poros de passagem para macromoléculas  no intestino, além de promover uma modificação histológica das microvilosidades intestinais. Com isso, o organismo passa a absorver moléculas que, em uma situação normal, ele não absorveria. Essas moléculas caem na corrente sanguínea e podem provocar doenças e alergias. Um exemplo é a molécula do glúten, que é uma molécula grande. Se a pessoa estiver com disbiose, ela será facilmente absorvida intacta no seu intestino, até porque a disbiose gera uma má digestão. Algumas pessoas, mesmo não sendo celíacas, desenvolvem uma sensibilidade ao glúten não celíaca, e uma das causas é a disbiose. Se esta for tratada corretamente, a sensibilidade é debelada. O mesmo acontece com a lactose. Às vezes a pessoa não tem alergia ao leite, mas precisa tratar a disbiose. Em algumas situações, a sensibilidade ao leite é revertida. É muito importante destacar que várias doenças têm origem no intestino. Quando o intestino é tratado, a doença pode desaparecer. É uma questão de prevenção a manutenção da homeostase da microbiota intestinal.

V.U. – Fale um pouco sobre as bactérias benéficas.
N.P. - As bactérias benéficas são os lactobacilos e as bifidobactérias. Quanto mais tivermos essas bactérias, melhor para a nossa saúde. A disbiose decorre da redução no número de Unidades Formadoras de Colônias  dessas bactérias. Daí ocorrem as alterações no organismo. Entre as possíveis doenças relacionadas estão alguns tipos de câncer, como o de cólon e diversas alergias, além de depressão, cansaço extremo, entre outros. A saúde do organismo depende do equilíbrio entre as bactérias benéficas e as maléficas do intestino. Atualmente já se sabe que temos mais bactérias no organismo do que células. Temos que cuidar bem delas!

V.U. – Quem pode desenvolver a disbiose? Há algum grupo de pessoas mais propício?
N.P. - Acredito que praticamente todas as pessoas têm disbiose, provocada pelo estilo de vida e a alimentação adotada hoje. Por isso recomendo que a pessoa faça o tratamento intestinal.

V.U. – Como se detecta a disbiose?
N.P. – Pode ser detectada com um bom exame clínico. E isso significa olhar tudo mesmo: língua, unhas,cabelos, sintomas difusos pelo corpo, funcionamento intestinal. Além disso, é preciso fazer um exame de fezes chamado coprocológico funcional. É um exame simples e barato; o preço varia, até porque existem vários tipos de coprocológico, dos mais simples aos mais elaborados. Há outros exames mais caros e sofisticados que detectam esse e outros problemas. Mas com esses dois procedimentos relativamente simples, o exame clínico e o exame de fezes, pode-se detectar e tratar a disbiose. O grande problema é que são poucos os profissionais de saúde que sabem interpretá-lo. Nos cursos de nutrição funcional os profissionais aprendem a fazer isso.




V.U. – Há maneiras de prevenir a disbiose?
N.P. – A melhor forma de prevení-la é consumir o menos possível os alimentos industrializados, optando pelos mais naturais. Tomar muita água, consumir fibras adequadamente, evitar medicamentos à toa (usá-los somente em casos de necessidade real), consumir alimentos orgânicos livres de agrotóxicos. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas sempre. O sono ruim e o estresse também provocam a disbiose.

V.U. – Apesar da importância do equilíbrio intestinal, que você destacou, esse é um assunto pouco falado na medicina convencional. Por quê?
N.P. – Já está comprovado que muitas doenças começam no intestino. Mas a “medicina da doença”, que é a medicina que se pratica usualmente, em geral trata os sintomas e ignora a causa. Muitos casos de depressão têm origem no intestino. Noventa por cento da serotonina (hormônio do bem estar) são produzidos no intestino, e não no cérebro. Uma pessoa pode ter depressão e a causa pode estar localizada no intestino, provocada pela disbiose. No entanto, na maioria das vezes o que acontece? A pessoa está com depressão, vai ao médico e volta com uma receita de antidepressivo. Passa anos e até décadas se intoxicando com remédios; alguns pacientes desenvolvem dependência química e tem ainda a sobrecarga dos efeitos colaterais, sem apresentar uma melhora expressiva. Tudo isso porque a causa do problema não foi tratada. É importante ressaltar que não estou dizendo que todas as doenças são causadas pela disbiose. Apesar disso, enfatizo que ao tratarmos o intestino, podemos evitar uma série de doenças e este tratamento não tem efeito colateral. Contudo, muitas doenças tem outras causas. De qualquer forma, a causa deve ser sempre investigada.

V.U. – Há alternativas para o que você chama “medicina da doença”?
N.P. – O que percebo é que a medicina praticada em nossa sociedade só enxerga tratamentos através de remédios. Há um total desprezo pelos recursos naturais, alguns usados há milênios. Há muitos exemplos disso no dia a dia. Uma pessoa toma remédio para a pressão alta e o remédio ataca o estômago. Ela volta ao médico e ele receita “prazol” para o estômago. Todos os “prazóis” têm efeitos colaterais; isso já é comprovado. Entre outras doenças, pode acarretar problemas de memória e até o Alzheimer. É um medicamento para ser usado em situações de crise, para aliviar dores e mal estar. E não ser usado indiscriminada e continuamente. Toda droga (remédio) tem efeitos colaterais e a nutrição funcional pode tratar muitas coisas sem fazer o uso de remédios. Contudo, mais uma vez deixo claro que não sou contra o uso de medicamentos. Pelo contrário, em muitas situações eles são necessários. Apenas digo que o uso indiscriminado e desnecessário de medicamentos tem levado muitos indivíduos à situação de doença. É sempre melhor prevenir as doenças!

V.U. – Você pode citar outros remédios bastante usados e que também têm efeitos comprometedores com o uso prolongado?
N.P. - As estatinas, para o tratamento do colesterol, também tem consequências e efeitos colaterais sérios com o uso prolongado. Quando dizemos “medicina da doença”, referimo-nos àquela situação onde o paciente apresenta uma pequena alteração no colesterol e o médico logo introduz a estatina. Em muitos casos, a adoção de uma dieta adequada, associada a uma atividade física, seriam suficientes para controlar o mal colesterol , sem necessitar de remédios. O uso prolongado de estatinas pode produzir uma série de efeitos colaterais: desregulação hormonal, disfunção erétil nos homens, redução do jato urinário, além de problemas de memória, entre outros. Isso já está comprovado em muitos estudos.

V.U. – Muitos representantes da medicina tradicional parecem se sentir ofendidos quando alguém sugere um método natural para a busca da saúde. Por que isso ocorre?
N.P. – A nossa sociedade está tão viciada no uso de remédios que não enxerga outros recursos e possibilidades. Não estou acusando os médicos; eles fazem aquilo que aprenderam. Mas critico a medicina trash, que parte logo para o uso de drogas sem considerar qualquer outra possibilidade. Mas já há profissionais e setores da medicina bastante preocupados com essa situação e propondo alternativas na prevenção de doenças.

V.U. – Tem algum exemplo específico sobre isso que você acaba de dizer?
N.P. – Fui verificar há pouco tempo os remédios que um familiar estava tomando. Constatei que ele toma doze comprimidos diários. Dentre esses, três são para controlar a glicose no sangue. Nunca vi alguém precisar de três tipos de medicamento para a glicose. Basta um. Esse mesmo paciente sofre uma série de efeitos colaterais decorrente dos medicamentos. Um médico consciente, ao avaliar esse paciente, retirou oito dos medicamentos utilizados. Constatou que o paciente só precisa manter quatro dos mesmos. Conclusão: uma economia de dinheiro e de saúde bem grande! Este indivíduo foi aconselhado pelo médico a melhorar sua qualidade de vida, com boa alimentação e atividade física diária. Tais medidas tomadas em conjunto, com certeza melhorarão em muito a vida dessa pessoa.

V.U. – Você pode citar um exemplo de como a nutrição funcional atuou positivamente?
N.P. - Na atuação prática do nosso trabalho, vemos muitos pacientes do SUS que chegam sofrendo com os sintomas dos remédios que estão usando há anos, estatinas e prazóis. Atendi um homem que fazia uso contínuo de prazol há dois anos. Ele tinha vários sintomas, todos de efeito colateral do medicamento. Em uma ação conjunta com o médico, propus a retirada paulatina do prazol (foi feito o desmame) e indiquei o chá de hortelã que, entre outros benefícios, é cicatrizante da mucosa gástrica. A reação dele foi essa: “a senhora está doida? Vai me matar de dor”. Expliquei a ele os benefícios da hortelã e disse que seria uma experiência. O homem voltou menos de um mês depois e não sabia como agradecer. Estava tão feliz com o resultado!

V.U. – Mas o chá de hortelã vale para qualquer caso?
N.P. – Não. Já tive pacientes para quem o chá de hortelã não resolveu. Aí foi preciso receitar manipulados fitoterápicos. Mas sempre procuro primeiro os recursos mais simples, porque são mais baratos e não têm efeitos colaterais. Quando não dão resultado busco outras soluções, como os fitoterápicos manipulados. Mas esses já representam um custo a mais para o paciente.

V.U. – O que mais você pode falar sobre a nutrição funcional?
N.P. – Além de buscar os recursos naturais, creio que a nutrição funcional tem um papel importante na divulgação de informações. Há muita falta de informação. As pessoas não sabem, por exemplo, que o leite piora a gastrite. De imediato, ele tem um efeito ‘tampão’, e a pessoa sente um alívio. Mas a longo prazo a situação piora. Não estou dizendo que é preciso cortar o leite da alimentação. Mas são situações específicas em que a nutrição funcional pode orientar corretamente. O bom nutricionista trabalha com sinais e sintomas. Isso já é suficiente para prevenir e tratar diversas doenças.

V.U. – Voltando à disbiose, qual é o tratamento específico para esse mal?

N.P. - O tratamento para a disbiose não se faz sozinho. É preciso incluir pré e probióticos. Mas não adianta ir na onda das propagandas que indicam o iogurte “x”, que contém probióticos etc e tal. A quantidade que a pessoa precisa para recuperar o equilíbrio intestinal é muito maior do que a que está no iogurte. Por isso é necessário o nutricionista prescrever a quantidade certa, junto com uma dieta específica, personalizada, de acordo com o estilo de vida e as possibilidades de cada um. Não há receita de bolo ou fórmula mágica. Cada caso é um caso.


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