Neste
começo de 2026, a internet foi chacoalhada por uma afirmação de Elon Musk, o
homem mais rico do mundo. Em sua rede social X (antigo Twitter), ele ponderou:
“quem disse que o dinheiro não pode comprar a felicidade realmente sabia do que
estava falando”. A repercussão foi imediata e as visualizações alcançaram
milhões em poucas horas.
Indagações para além do mundo físico permeiam a
história dos homens. Nos dias bíblicos, alguém se aproxima do carpinteiro de
Nazaré e pergunta o que deveria fazer para herdar a vida eterna. A resposta,
aqui resumida, indica o cumprimento dos dez mandamentos, síntese do amor a Deus
e ao próximo. Não satisfeito com a resposta, o jovem indagador argumenta que
tudo isso ele já cumpria; o que faltava ainda? Tocando na ferida, o mestre
responde: “vai, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me”.
Ouvindo esta palavra o moço retirou-se triste, porque possuía muitos bens.
Reconhecido mundialmente, o fotógrafo brasileiro
Sebastião Salgado fez uma revelação impactante em uma de suas últimas
entrevistas. Após décadas registrando guerras, fome, injustiças ele passou os
últimos anos de sua vida dedicando-se a um projeto ambiental em terras de sua
família, em Minas Gerais. Adoecido e deprimido com tudo que vivenciou no
exercício da profissão, Salgado cunhou uma frase matadora: “tive vergonha de
pertencer à espécie humana”. Passou, então, a viver próximo à natureza, dedicando-se
aos bichos e às plantas.
Com um patrimônio avaliado em 668 bilhões de dólares
(3,5 trilhões de reais), a frase publicada por Musk indica que ele não alcançou
a felicidade. Entre os muitos comentários que recebeu, alguns irônicos e outros
manifestando simpatia, havia conselhos para que se aproximasse da religião ou
se dedicasse à filantropia.
Mas dá para juntar no mesmo texto a frase do
bilionário, a confissão de Sebastião Salgado e a pergunta do jovem rico dos
dias de Jesus? Certamente há mais conexão entre elas do que imagina a nossa vã
filosofia. Juntando tudo no mesmo caldeirão depreende-se que a estupidez humana
é imensurável, capaz de criar um sistema onde alguém acumula cifras
inimagináveis de recursos enquanto mais de 600 milhões de pessoas passam fome
no planeta.
O tempo passa e algumas coisas mudam pouco nesta terra
de contrastes. Há mais de dois mil anos, o jovem rico seguiu, triste, o seu
caminho por não querer partilhar seus bens. Musk lança uma dúvida sem resposta,
e possivelmente sua angústia permanece. Ao mesmo tempo, ele aplica parte de seu
dinheiro em financiar campanhas eleitorais, como a de Donald Trump, bem como no
projeto de levar milionários para Marte.
De resto, fica a reflexão filosófica do texto de
Eclesiastes: “Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis
que tudo é vaidade e vento que passa...” (Ec 1:14).




